O defensor público-geral André Castro e o subprocurador-geral Ertulei Matos aderem ao pacto

 

No Rio de Janeiro, pelo menos 28 mil crianças com até 10 anos de idade ainda não têm certidão de nascimento. Já no sistema carcerário do estado, quase 10% dos detentos têm identificação criminal, mas não civil. Essa realidade, apontada em pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Sistema de Identificação Penitenciária, levou a Defensoria Pública e outras instituições a assinarem, nesta quinta-feira (21), o Pacto pela Plena Garantia do Direito à Documentação Básica. O compromisso prevê uma série de ações articuladas a fim de erradicar o sub-registro.

O documento foi assinado pelo defensor público-geral, André Castro, e por representantes do Ministério Público do Rio, das secretarias estaduais de trabalho e de assistência social, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio e do Departamento de Trânsito do estado.

Resultado do trabalho do Comitê Gestor Estadual de Políticas de Erradicação do Sub-Registro Civil de Nascimento e Ampliação do Acesso à Documentação básica, do qual todos os signatários fazem parte, o pacto é considerado uma ferramenta fundamental para garantir o exercício de direitos. A começar pelo direito à certidão de nascimento, que é imprescindível para a emissão de outros documentos, como carteira de identidade e CPF.

– Esse é um ato importante para assegurar dignidade à população excluída do nosso estado. A identificação civil abre as portas para a cidadania. É uma ferramenta, não um fim em si mesmo. Trata-se do primeiro passo para o resgate dos direitos das pessoas mais vulneráveis – ressaltou o defensor público-geral.

Atuação articulada

Os signatários do pacto comprometeram-se a elaborar e a participar de ações capazes de combater o sub-registro civil, especialmente de pessoas em situação de maior vulnerabilidade, ao promover o acesso não só à certidão de nascimento, mas também aos documentos básicos, como carteira de identidade, CPF, título de eleitor, certificado de reservista e carteira de trabalho.

Uma das iniciativas previstas visa a ampliar o serviço de identificação civil de recém-nascidos ainda na maternidade. O acordo de cooperação prevê também ações voltadas para crianças, adolescentes, adultos e idosos institucionalizados, assim como projetos destinados a grupos específicos, como pessoas privadas de liberdade, indígenas e população em situação de rua. 

Além disso, o compromisso abre caminho à rede de serviços de saúde para quem ainda não tem documentos e estabelece diretrizes para a solicitação desses papéis. O pacto também proíbe a rede de ensino de negar a matrícula ou o fornecimento de declarações sob a alegação de que o aluno não possui documentos e estabelece como um dever da instituição de ensino providenciar a regularização da situação documental da criança e do adolescente.

– Os que aqui estão não são apenas os que têm o dever de agir, mas os que têm compromisso com o lado humano da vida, os que gostam e querem ajudar –afirmou o subprocurador-geral  de Justiça de Direitos Humanos, Ertulei Laureano Matos, ao assinar o pacto.

O Pacto de Compromisso Pela Plena Garantia do Direito à Documentação foi assinado em uma cerimônia na sede do MPRJ. As defensoras públicas Fatima Saraiva, coordenadora dos Núcleos de Primeiro Atendimento, e Carla Beatriz Nunes Maia, do Núcleo de Direitos Humanos, também participaram da solenidade.

Texto: Valéria Rodrigues.

Imagens: Erick Magalhães.

Clique aqui para ver as imagens da cerimônia. 

 



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