Após um processo de escuta e negociação conduzido pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, foi firmado um acordo que reorganiza a convivência no quiosque administrado pela família do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, no Parque Madureira Mestre Monarco, Zona Norte da capital.
O espaço foi concedido à família pela Prefeitura como forma de reparação após o assassinato de Moïse, em janeiro de 2022. Desde então, dificuldades no convívio com outros trabalhadores do local vinham gerando tensões. O caso chegou ao Polo de Mediação e Ações Restaurativas (POMAR) encaminhado pelo Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh), e iniciou-se um trabalho de mediação envolvendo todas as partes.
A construção do entendimento ocorreu de forma gradual, com reuniões e acompanhamento contínuo. O objetivo foi estabelecer condições para uma convivência respeitosa e sustentável no ambiente de trabalho.
— A ideia que nós tivemos no primeiro momento é que a gente tinha que solucionar, e passo a passo, com muito trabalho e muita complexidade, a gente foi avançando. Hoje deixo um relato de uma convivência que se transformou. É uma história de luta, sobrevivência e vitória — afirmou Clóvis José dos Passos Filho, gestor do Parque Madureira.
O processo também possibilitou a aproximação entre a família de Moïse e os demais quiosqueiros, criando novos vínculos no cotidiano do espaço.
— Foi muito importante a mediação. A gente passou a conhecer o Maurice, que antes não falava, e hoje é nosso amigo. A gente conversa, se entende. O mais importante é isso: todo mundo em paz, numa parceria — disse Robson Luz dos Santos, gerente do Parque.
Segundo Maurice, irmão de Moïse, a atuação da Defensoria foi decisiva para mudar o ambiente de trabalho.
— O fato de vocês terem chamado os responsáveis dos quiosques para conversar ajudou bastante. Ultimamente o ambiente está mais tranquilo, mais leve para trabalhar, sem conflitos. Isso fez muita diferença no nosso dia a dia — disse.
— A articulação do trabalho do POMAR com outras coordenações tem sido importante para, por meio do diálogo, trazer justiça onde a lei muitas vezes não alcança. Além do NUDEDH, já atuamos em casos do NUTH, NUPED, COMULHER, COINFANCIA, entre outros. É sempre emocionante acompanhar a construção de novas possibilidades de convivência — finalizou Ana Rosenblatt, Defensora Pública e Coordenadora do POMAR.