ATENDIMENTO AO CIDADÃO

Foto: Arquivo DPRJ

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) realizou, no último sábado (11), mais uma ação voltada à investigação de paternidade, com coleta de material genético para exame de DNA. Desta vez, a iniciativa aconteceu na quadra da Mocidade Unida da Cidade de Deus, ampliando o acesso da população a um direito fundamental: o reconhecimento da filiação.

Além dos atendimentos previamente agendados, a equipe também realizou coletas em pessoas que compareceram ao local sem marcação, garantindo acolhimento e acesso ao serviço de forma mais ampla e inclusiva.

De acordo com a Subcoordenadora do Polo de Mediação e Ações Restaurativas (POMAR), Defensora Pública Larissa Ellias Guimarães Davidovich, a iniciativa ultrapassa o caráter técnico do exame.

— Essa ação vai muito além de um exame. É mais do que a coleta ou até mesmo o resultado prático do registro do pai em uma certidão de nascimento. É o início da construção de novas formas de vínculo afetivo e familiar — afirmou.

Desde que o POMAR passou a conduzir essa atividade, sob a atuação das Defensoras Públicas Larissa Davidovich e Ana Rosemblat, foram implementadas mudanças importantes nos fluxos de atendimento. Entre elas, a revisão dos processos, a reorganização da forma de contato com as famílias e a criação de uma metodologia mais humanizada para a entrega dos resultados, com momentos distintos de exames positivos e negativos.

A proposta busca oferecer um ambiente de escuta, acolhimento e reflexão, respeitando a complexidade emocional envolvida em cada caso.

— Uma nova configuração familiar pode se estabelecer a partir do resultado do exame. Por isso, é fundamental refletir sobre como essa família seguirá a partir desse reconhecimento. Realizamos atendimentos, rodas de conversa, e, muitas vezes, as famílias saem daqui diferentes de como chegaram — mais leves, mais fortalecidas — destacou a Larisssa.

Entre as histórias que marcaram o dia, está a de Raíssa, representada por sua tia, Raquel, que buscou o serviço da Defensoria após anos de espera.

— Aqui fomos recebidos com acolhimento e atenção. Fomos ouvidos, e minha sobrinha, mesmo fragilizada, está se sentindo bem. O trabalho de vocês é fundamental. Estamos confiantes e ansiosas pelo resultado. Hoje, mesmo após 31 anos e sem os pais vivos, ela poderá ter o nome do pai em seu registro. Se não fosse a Defensoria, isso jamais seria possível.

A iniciativa reforça o papel da DPRJ na promoção do acesso à justiça e na garantia de direitos, aliando atuação jurídica a práticas restaurativas e humanizadas, especialmente em temas que envolvem identidade, pertencimento e história familiar.

Texto: Fabiana Leite



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