
Espaço dedicado ao acompanhamento da doença, que atinge majoritariamente a população negra, foi inaugurado em Nilópolis.
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ), por meio do Núcleo de Combate ao Racismo e à Discriminação Étnico-Racial (Nucora) da Baixada Fluminense, incentivou a criação, no município de Nilópolis, de uma sala destinada ao acompanhamento de pessoas diagnosticadas com a doença falciforme. O espaço foi inaugurado no último dia 5 de maio, no Complexo de Saúde de Nilópolis.
O diagnóstico, que atinge majoritariamente a população negra, é caracterizado pela alteração dos glóbulos vermelhos, o que dificulta a circulação sanguínea no organismo e causa crises de dor intensa, anemia crônica e infecções, impactando significativamente a vida dos pacientes.
A Defensora Pública do Nucora da Baixada Fluminense, Mariana Pauzeiro, reforça que o município de Nilópolis foi o primeiro, na Baixada Fluminense, a contar com a sala especializada. Embora o Governo do Estado tenha determinado, em 2017, que todas as Secretarias Municipais de Saúde implementassem pontos focais para o acompanhamento da doença, a maioria dos municípios da Baixada conta apenas com a atuação geral de um hematologista, sem um ponto de atendimento focado na doença falciforme.
— Além da ausência de atendimento especializado, também não é possível reunir dados sobre a doença, como o número de pessoas atendidas, os tratamentos oferecidos e o aumento ou a redução da incidência. O controle epidemiológico deveria ser feito por meio desses pontos focais — reforçou a Defensora Pública.
A criação do espaço é fruto do resultado de uma série de reuniões e ofícios encaminhados pelo Nucora à Secretaria Municipal de Saúde, cobrando a implementação da política pública, prevista pelo Estado há nove anos.
A nova estrutura funcionará no Complexo de Saúde de Nilópolis e contará com uma equipe capacitada para o acompanhamento dos pacientes com a doença, o que deve reduzir a necessidade de deslocamentos até o Hemorio, referência estadual no tratamento da doença falciforme — diminuindo, consequentemente, o desgaste enfrentado pelos pacientes durante o tratamento.
Para a Coordenadora de Promoção da Equidade Racial (COOPERA) da Defensoria, Luciana da Mota, garantir atendimento especializado para a doença falciforme é uma medida concreta de equidade racial na saúde, pois atende a uma demanda histórica da população negra.
— A atuação da Defensoria em Nilópolis reafirma nosso compromisso em transformar políticas abstratas em direitos efetivos, combatendo o racismo estrutural que se manifesta na desassistência. Essa conquista demonstra que a promoção da equidade racial passa, obrigatoriamente, pelo fortalecimento de políticas públicas de saúde voltadas à população negra. Nosso objetivo é que o pioneirismo de Nilópolis sirva de modelo para todos os demais municípios, garantindo o acompanhamento adequado desde o diagnóstico precoce — disse a Defensora Luciana da Mota.
Além disso, o ponto focal permitirá identificar precocemente novos casos da doença, por meio do teste do pezinho, que é realizado nas maternidades. Com a implementação do serviço no município, crianças diagnosticadas podem iniciar o acompanhamento médico em Nilópolis, sem a necessidade de encaminhamento imediato para outras unidades de saúde.
— Quando o diagnóstico é realizado logo no nascimento, é possível iniciar o tratamento rapidamente, garantindo mais qualidade de vida para as crianças — destacou a Defensora Mariana Pauzeiro.
Ainda segundo a Defensora Mariana Pauzeiro, o decreto para a criação da sala especializada foi publicado em fevereiro deste ano, com a nomeação da médica hematologista, a enfermeira e a equipe.
— Foi uma grande vitória, a implementação deste espaço ainda não aconteceu em nenhum outro município da Baixada. É uma determinação que vai ajudar muito a população negra, e espero que outras cidades também ganhem uma sala como esta — concluiu.
Texto: Ana Clara Prevedello