A estação Carioca/Centro do MetrôRio recebeu, na última sexta-feira (31), mais uma etapa da campanha Meu Pai Tem Nome, promovida pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ). A ação levou ao mezanino do acesso B (Avenida Chile) atendimento jurídico e coleta gratuita de material genético para exames de DNA, ampliando o acesso ao reconhecimento voluntário de paternidade e maternidade.
Ao longo do dia, pessoas em diferentes situações buscaram a Defensoria Pública para dar início ou dar continuidade ao processo de reconhecimento de filiação. Além da coleta para o exame de DNA, equipes da Instituição prestaram orientação jurídica e encaminharam demandas que exigiam outras medidas.
Entre os atendidos estava o motorista de transporte alternativo Marcos Vinícius, que acompanhou um amigo à ação após conhecer sua história. Segundo ele, a preocupação começou quando o filho do amigo enfrentou dificuldades para permanecer na escola por ainda não possuir o registro regularizado.
— Nós somos amigos há muitos anos. Um dia percebi que ele estava triste e perguntei o que tinha acontecido. Ele contou que o filho tinha ido para a escola e poderia ter que sair porque estava sem registro. Eu falei: "Vamos resolver esse problema". Conversei com a minha esposa, que é Assistente Social, e ela começou a procurar uma forma de ajudar — relatou.
A Assistente Social Gabriela, esposa de Marcos, explicou que o caso já havia passado por outras tentativas sem sucesso até encontrar a campanha nas redes sociais da DPRJ.
— Quando vi a publicação do Meu Pai Tem Nome no Instagram, mandei para ele na mesma hora. Pedi toda a documentação, fiz a inscrição e marcamos de vir. Foi a oportunidade que encontramos para ajudá-lo — contou.
Luiz Claudio compareceu à estação acompanhado do filho, Caique, criado por ele desde o nascimento. O menino ainda não possui o registro regularizado porque a mãe, já falecida, não tinha documentação civil durante a gestação, o que dificultou o reconhecimento da paternidade.
Para Luiz, o exame representa a possibilidade de garantir ao filho direitos básicos, como o acesso à educação.
— Não existe dúvida de que ele é meu filho. O exame é mais para regularizar a situação dele. Ele precisa ir para a escola. É isso que eu quero resolver — afirmou.
A campanha também acolheu situações que exigiam outros encaminhamentos. Daiana Almeida procurou a Defensoria Pública para realizar o exame de DNA dos filhos, Cauã e Maria, mas o suposto pai não compareceu ao atendimento. Orientada pelas Defensoras Públicas e Coordenadoras do Polo de Mediação e Ações Restaurativas (Pomar), Larissa Davidovich e Ana Rosenblatt, ela utilizou o aplicativo da DPRJ para ajuizar o pedido de exame, garantindo o prosseguimento da demanda pela via judicial.
Outro atendimento marcou a manhã da ação. A jovem Isabela Guimarães buscou o serviço para confirmar a paternidade da filha. Ela contou que descobriu a gravidez apenas quando passou mal durante o expediente de trabalho e deu à luz poucos minutos depois. No dia da ação, aguardou por mais de cinco horas até a chegada do suposto pai, que compareceu ao local e realizou o exame.
Promovida nacionalmente pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), a campanha busca assegurar gratuitamente o reconhecimento da filiação, seja por vínculo biológico ou socioafetivo. O procedimento garante acesso a direitos como pensão alimentícia, herança, benefícios previdenciários, histórico de saúde familiar e fortalecimento dos vínculos familiares.
— O que vivenciamos durante a ação foi muito mais do que a realização de exames ou atendimentos jurídicos. Em cada pessoa que se aproximava havia uma história atravessada pela espera, pela esperança e, muitas vezes, pela dor do não reconhecimento. O nosso papel foi, antes de tudo, acolher essas histórias com escuta, respeito e sensibilidade. A Defensoria Pública humaniza o acesso à Justiça ao enxergar as pessoas em sua integralidade, fortalecendo vínculos e transformando o direito à identidade em uma experiência concreta de pertencimento, dignidade e novos começos — declarou a Defensora Pública Larissa Davidovich.
Segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil, em 2025, 173.112 crianças foram registradas no Brasil sem o nome do pai na certidão de nascimento, o equivalente a 6,9% dos nascimentos. No Estado do Rio de Janeiro, foram 12.883 registros, representando 7,77% do total de nascimentos, percentual superior à média nacional.
Os resultados dos exames realizados na estação Carioca/Centro e nos outros dias de coleta serão entregues no Dia D da campanha, em 15 de agosto, no Estádio de São Januário, das 9h às 15h, com acesso pelo Portão 7. Na ocasião, a Defensoria Pública também oferecerá atendimento jurídico e outros serviços relacionados ao direito à identidade e ao reconhecimento de paternidade e maternidade.
Texto: Melissa Rachel Cannabrava