ATENDIMENTO AO CIDADÃO

Os dois PM estão ameacados de afastamento de suas atividades no Forum de Caxias

 

Ameaçados de afastamento das atividades no Fórum de Caxias, os dois policiais militares que algemaram a advogada Valéria Lucia dos Santos após o  término de audiência no III Juizado Especial Criminal, no último dia 10, estão sendo assistidos pela Defensoria Pública do Rio. O defensor Thiago Belotti, que atua junto à Auditoria Militar, encaminhou, nesta quarta-feira (18), à direção do Fórum local, contestação em favor dos sargentos, sob a alegação de que eles “não violaram os direitos da advogada e agiram em total conformidade com a lei, ao usarem algemas em clara situação de resistência”.

O defensor Belotti destaca que a Súmula vinculante no. 11 do Supremo Tribunal Federal preconiza que “só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros”.

— Foi exatamente o que aconteceu. A advogada não nega ter resistido a deixar o recinto, como fora solicitado pela juíza leiga e reiterado pelos policiais militares, num momento em que a audiência já havia sido encerrada. O depoimento dela, que consta no Registro de Ocorrência lavrado na delegacia, no mesmo dia, não deixa dúvidas — explica Belotti.

O pedido de afastamento dos sargentos Alan de Souza Nogueira e Nelson da Silva Rodrigues de suas atividades policiais militares no Fórum de Caxias foi feito, por ofício, à direção do Fórum de Caxias, pela Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Rio de Janeiro, que alega terem eles “demonstrado evidente despreparo técnico e emocional para lidarem com o público e, principalmente, com profissionais de advocacia”.

Belotti discorda e quer o arquivamento da solicitação da OAB:

— Houve resistência por parte da advogada até mesmo quando os policiais tentaram levá-la para o corredor do Fórum pelos braços. Foi então que ela literalmente se jogou no chão e começou a se debater. Não fosse o uso das algemas, a advogada teria se ferido. Convém lembrar que as algemas foram retiradas tão logo ela se acalmou, no corredor da sala de audiências, ou seja imediatamente após cessar o risco à sua integridade física e a de terceiros.  Aliás, ela foi conduzida à delegacia sem algemas — ressalta o defensor público.



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